Boletim – Julho 2022

Foto destaque do Boletim

Foto do Workshop oferecido pela academia Bunkyo Kendô – SP no Festival das cerejeiras do Bunkyo – Sociedade Brasileira de cultura japonesa e Assistência Social.

Nome da atleta: Juliana de Paula Eduardo

Onde existe exemplo, Budô aí está.

Frase adaptada de “Onde existe amor, Deus aí está” que é um conto belíssimo, para ser lido e relido várias vezes. Escrito por Tolstói.

Autor convidado

Rui Sasaki, "a espadachim da vestimenta inusitada"

No Japão do século 17, viveu uma espadachim que se tornaria famosa pela sua proficiência com artes marciais e pela sua maneira diferente de se vestir, duas características que chamavam muita atenção na época. Seu nome era Rui Sasaki[1].

O pai dela era um samurai e mestre espadachim que servia ao lorde do feudo de Koga, em Shimofusa (atual cidade de Koga, província de Ibaraki). Desta forma, Rui nasceu em Koga [2] e, desde cedo, foi treinada pelo pai nas artes marciais, chegando à maestria em todas as artes que lhe foi ensinada e chegou a atuar como guarda-costas da esposa do lorde do seu feudo.

A descrição que consta dela nos registros é de que era “forte e determinada, ao mesmo tempo em que era altiva e bela”.

Como ela não tinha irmãos homens, ela e o pai buscaram alguém que pudesse se casar com ela para manter a casa dos Sasaki, mas o pai acabou falecendo de doença [3] e Rui Sasaki foi obrigada a se tornar uma rônin, ou seja, uma pessoa sem servir a lorde algum.

Uma vez livre, ela abriu um dojo de artes marciais em Asakusa, que é atualmente um distrito de Tóquio. Diz-se que, na entrada do seu dojo, tinha lança e naginata, além de caixas usadas para guardar as armaduras. Ela se tornou rapidamente famosa como mestra espadachim e instrutora de artes marciais, tanto pela sua capacidade quanto pela sua vestimenta inusitada: ela se trajava com uma veste preta com o brasão dos Sasaki, um penteado único utilizando uma peça chamada kôgai [4] e com as duas espadas à cintura.

Ao mesmo tempo, na época, Edo (atual Tóquio) sofria com grupos de arruaceiros que, semelhante à Rui, eram conhecidos por seus trajes diferentes. Por isso, ela foi chamada por Sadakiyo Ishigaya, que na época (1650 a 1659) ocupava o alto posto de Administrador Geral da Região Norte [5].

Ishigaya explicou que ela não havia cometido nenhuma ilegalidade, dado que era uma mulher de família de samurais, mas questionou a necessidade de se vestir de uma forma tão diferente. Ao ouvir isso, Rui explicou que os trajes tinham um objetivo bem claro: era chamar a atenção para encontrar alguém que fosse um guerreiro tão exímio quanto era a casa dos Sasaki, em cumprimento ao derradeiro desejo do seu falecido pai. Assim sendo, não havia nenhuma relação com os arruaceiros que causavam tantos problemas. Mais do que isso, certa feita ela chegara a confrontar esses baderneiros para manter a ordem.

Essa explicação impressionou Ishigaya de tal maneira que a história se espalhou e chegou aos ouvidos de Toshishige Doi, que havia assumido o feudo de Koga [6]. E se diz que o lorde se empenhou pessoalmente para encontrar um homem à altura de Rui Sasaki, até localizar Tsukumo Kosugi, filho de Shigezaemon Kosugi, o guerreiro mais forte do feudo. Com isso, Rui Sasaki pôde reconstruir a casa dos Sasaki, restaurando o nome da família.

[1] O “R” de “Rui” se pronuncia como o “r” em “Sara”. O nome dela não se pronuncia como o “Rui” de Rui Barbosa.

[2] Considerando que o lorde, Toshikatsu Doi, assumiu o comando do feudo de Koga em 1633 e faleceu em 1644, é de se esperar que Rui tenha nascido dentro desse período. Ou seja, nem 50 anos depois da crucial batalha de Sekigahara e o consequente início do Xogunato Tokugawa.

[3] Alguns dizem que essa busca demorou muito pela dificuldade de encontrar um homem que estivesse à altura da proficiência marcial dela e do seu pai, para que pudesse  entrar para a casa dos Sasaki.

[4] Kôgai é uma peça que pode ser utilizada para diversos fins, mas o seu uso para cabelo era mais como um simples prendedor. Rui Sasaki usou como um acessório para o penteado, o que era algo bastante inusitado.

[5] Tradução bastante livre para “Kita Machibugyô”, em japonês. Era um cargo que cuidava da parte administrativa e jurídica da cidade e ocupada apenas por guerreiros de uma classe bastante elevada. A sede ficava mais ou menos onde atualmente se localiza a saída de Yaesu da estação de Tóquio.

[6] Toshishige Doi era neto de Toshikatsu Doi, senhor feudal a quem servia o pai de Rui Sasaki.

Luiz KobayashiAuto convidado
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Praticante de: Kendô, Iaidô e outras artes marciais tradicionais japonesas e pesquisador diletante de: História do kendô desde 2003 e História do kendô no Brasil desde 2007.

Livros publicados:
KOBAYASHI, L. O. M. Hakkoku Kendō Shōshi: Senzen-hen. 1. ed. São Paulo: [s.n.], 2018. 343p.
KOBAYASHI, L. O. M. Peregrinos do Sol: A arte da espada samurai. 1. ed. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 2010. 360p.
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